segunda-feira, 15 de agosto de 2011

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PANDORA
Tomei o último gole da garrafa de vinho e joguei ela contra a parede. Ri igual idiota quando ela se espatifou. Eu não gostava muito de vinho, mas era a coisa mais barata que consegui comprar e depois de uns goles até que ele ficou bom. Uma garrafa não me deixaria bêbada, mas eu já estava de bom humor. Álcool me deixava feliz, eu esquecia os problemas e mandava eles se ferrarem. Era divertido tratá-los como se fossem pessoas.
Eu sai de baixo da arquibancada e vi uma velhinha. O que será que ela pensa ao ver uma jovem como eu? Cabelos castanhos, lápis preto nos olhos, muitas pulseiras e correntes, mini-saia jeans... é, eu era como um carrosel do inferno.
Liguei a câmera digital que eu tinha roubado de um cara no sábado passado e comecei a ver o vídeo que eu tinha gravado por ter entrado no vestiário dos caras do futebol: Anna chupando Dimitri. Ela era meso uma vadia. Nada contra as vadias, mas ela era uma inrrustida, fingida de aluna perfeita preocupada com as garotas da torcida. Ela estava mais aberta do que a camada de ozônio!
Fui andando vendo o vídeo enquanto os idiotas assistiam à final do campeonato interclasse de futebol. Foi quando ouvi os risos histéricos sas garotas da torcida: Anna e suas patricinhas. Quer dizer, patricinha merda nenhuma, elas assistiam Gossip Girl e achavam que estavam no Uper East Side.
Alguém cuspiu quando eu passei por elas. Eu parei e desliguei a câmera.
- Algum problema? - perguntei, desafiadora.
- Vocês ouviram alguma coisa garotas? - Anna se fez de tonta. Não precisou de muito esforço.
As meninas riram debilmente.
- Que deprimente. Além de vadias são burras. - provoquei.
- Vamos sair daqui garotas, não vamos nos rebaixar a ela, e eu ainda preciso visitar meu namorado na enfermaria.
Eu gargalhei:
- Namorado? Rebaixar? Pelo menos não sou eu que chupo jogadores só pra ele mentir que me namora.
Anna ficou vermelha.
- Acho que você já bebeu demais.
- Não, não, esperem. Vejam isso.
Eu liguei a câmera e coloquei play no vídeo da Anna com o Dimitri. Me diverti ao ver as expressões chocadas das patricinhas ao ver o vídeo. Claro que aquilo era tudo fingimento pois todas tinham fama de vadias.
- Eu não acredito! - exclamou uma delas.
- Como você pode fazer uma coisa dessas?
- Ai que nojo! - uma até fingiu ânsia. Acho que ela era a da garganta profunda que os garotos falavam.
Anna estava ficando furiosa.
- Sua... Sua...
Eu ergui a sobrancelha, debochando.
De repente Anna me deu um tapa. Foi muito rápido. Senti meu rosto esquentar, mas não senti dor. Louvado seja o vinho! Eu ri tonta e Anna me deu um empurrão. O sangue subiu e eu revidei com outro tapa. Não demorou muito pra nós duas estarmos no chão, rolando de um lado para o outro, se chutando, socando e puxando o cabelo uma da outra enquanto as outras meninas da torcida gritavam histéricas. Eu vi a Raquel pegar a câmera do chão e começar a ver o vídeo de novo. Vadia mesmo!

Meia hora depois eu estava sentada no banco da diretoria ao lado de Anna, que estava revoltada porque até hoje ela só tinha ido àquela sala para receber elogios e agora estava ali para receber uma advertência por ter brigado. A pode de líder santa de torcida tinha ido pro ralo.
- Pelo menos levaram a câmera embora. - comentei.
- Vai se ferrar. - Anna respondeu.
Eu ri.
De repente minha mãe, Rose, entrou na sala junto com o diretor e Auston, a mãe de Anna, uma rica que só fazia eventos beneficentes junto com a mãe de Dimitri.
- Aqui estão elas. - disse o diretor, desapontado. Com certeza a grande novidade ali era a Anna já que eu frequentava mais a diretoria do que a sala de aula.
- Oi Rose! - exclamei, dando um tchauzinho para a minha mãe. - Como estão as coisas lá no hospital?
Auston revirou os olhos:
- Que garota deprimente. Está na cara que a Anna não fez nada, foi essa aí que provocou. Ela deve ter só se defendido.
Eu fiquei surpresa com a declaração, pois imaginava que Auston ia tirar Anna dali pelos cabelos. Anna fez cara de santa. Talvez o status de garota modelo não estivesse totalmente perdido.
- Era só o que faltava, as duas brigaram juntas! - exclamou Rose.
- Minha filha não é nenhuma marginal pra sair brigando! - rebateu Auston, impaciente, olhando com desprezo para mim. - Ela está bêbada!
- Seu nariz! - exclamei de imediato - Se eu estivesse bêbada nós estaríamos transando agora em cima da mesa do diretor.
Todos ficaram em silêncio. Acho que eles ficaram admirados como eu falava coisas tensas com tanta tranquilidade. O diretor arregalou os olhos e eu vi que a calça dele instantaneamente ficou mais apertada ao imaginar a cena. É, o velhinho ainda estava na ativa.
- Francamente - bufou Auston para o diretor - O senhor está esperando o quê para expulsar essa delinquente daqui?
- Dobre a língua para falar da minha filha! - Rose se irritou - A única que pode chamá-la de delinquente sou eu.
Eu revirei os olhos e encostei na parede. Fechei os olhos e fiquei ali ouvindo as duas discutirem para descobrir quem era a mais santa: a bêbaba ou a vadia. Enquanto isso eu sabia que o diretor me imaginava transando com a mãe da Anna ao invés de encontrar uma solução para aquela situação. Era impressionante como todos homens eram iguais e só pensavam com a cabeça debaixo.

Um comentário:

  1. Olá, parabéns pelo seu blog, tudo de muito bom gosto!
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